Munida de flores, Helena quer mudar o mundo
Com
uma ideia simples e um grande poder de mobilização, a florista Helena
Lunardelli reutiliza decorações que iriam para o lixo para transforma a
vida de idosos
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Criada em 2010, a iniciativa tem uma premissa
simples: reutilizar flores de eventos para alegrar o dia de lares de
idosos. Por trás do objetivo, no entanto, há uma complexa logística que
envolve, além de Helena, 40 voluntários e quatro funcionários. O
trabalho deve ser rápido, já que as doações de floristas e decoradores
parceiros precisam ser retiradas ainda na madrugada e transformadas em
arranjos em curto espaço de tempo - após o evento, as flores duram no
máximo cinco dias. As tarefas se dividem entre montagem de arranjos e
visita aos idosos e funcionários das casas, que são presenteados com as
criações. Atualmente, 13 lares fazem parte do circuito que prevê de uma a
duas visitas por semana. Assim que a última instituição recebe os
voluntários da Flor Gentil, um novo ciclo se inicia, o que ocorre mais
ou menos a cada mês.
Não é só a vida de idosos que as flores de Helena colorem e perfumam.
A entidade tem ainda outras duas frentes: a capacitação profissional e o
Fundo Gentil. Atendidas as visitas da semana, as doações que restam são
destinadas a eventos de pessoas comuns ou mesmo instituições que entram
em contato com a Flor Gentil por não terem condições de pagar pela
decoração de um casamento, aniversário, formatura ou festa de final de
ano.Já a capacitação profissional surgiu para auxiliar pessoas interessadas em atuar profissionalmente como floristas e que não podem arcar com cursos profissionalizantes. Elas se inscrevem, participam de oficinas e geralmente acabam indicadas por Helena para trabalhar em outras empresas do ramo. Enquanto aprendem a montar arranjos, participam por 40 horas da rotina do projeto e recebem certificado.
No terceiro ano de atuação, o Flor Gentil atende cerca de 1,2 mil idosos e funcionários de lares, além de contabilizar 1,5 mil pessoas que já atuaram como voluntárias da causa. Helena diz que não imaginava atingir tanta gente. "Sempre trabalhei bastante, mas chegou a hora em que senti um vazio por não estar ajudando os outros. De que adianta vencer desafios, vender cada vez mais? É isso que eu vim fazer aqui? Eu acho muito pouco."
A boa ação acabou indo muito além dos idosos, o alvo inicial. Ela conta que o horário de visita dos familiares também ficou mais feliz, já que os lares estão floridos e os pais e avós agora têm um presente a oferecer - e se sentem orgulhosos por isso. O trabalhou como voluntária também mudou a vida da florista. "Eu nunca tinha trabalhado com isso. Hoje, convivo com voluntários e vejo o quão importante essa iniciativa é também para eles. Quando percebi, tinha atingido muito mais gente do que previa a proposta inicial. Eu acredito em um mundo melhor, principalmente se se as pessoas puderem se doar mais aos outros", diz.
Crédito da foto: Divulgação